Inteligência na TV? Estou fora!

Publicado: 29/01/2011 em TECNOLOGIA

Calma. Este não é um texto-denúncia contra o BBB, nem sequer um texto-denúncia contra o pessoal que diz odiar o BBB mas passa o dia inteiro no Twitter acompanhando a vida de um monte de gente, comentando até do café da manhã alheia.

A inteligência que me refiro é na TV física, objeto.

A Interação sempre foi palavra do momento. Agora mais que nunca, pois finalmente a banda larga está dando as caras. Com o pacote de Bolsa Internet Rápida do Governo Federal em teoria qualquer brasileiro que não more onde o vento faz a curva terá um link de velocidade excelente (meu primeiro modem foi um Zoltriste de 1600 bauds) por um preço acessível.

O grande problema da TV Interativa estará resolvido: O canal de retorno. Durante anos operadoras como a Sky tentaram utilizar discadores para fazer essa conexão, mas além do serviço ser muito pouco confiável a quantidade de informação enviada era ínfima. O custo da estrutura não compensava.

Só que TV Inteligente é mais que isso.

As Smart TVs, como são chamadas trarão além de grades de programação navegadores web, YouTube, Twitter, possibilidade de agendamento de eventos, compartilhamento do conteúdo assistido, lista de contatos, integração com Facebook, etc etc e etc. Imagine sua TV como um segundo computador. Você senta para ver um programa educativo nas madrugadas de Sábado no Multishow, mas antes que se ajeite no sofá, um ícone pisca. Twitter.

Você seleciona a mensagem, responde com um teclado sem-fio que claro ninguém vai perder e estará sempre ao seu lado. Volta para o filme. Ops, um popup. Alguém comentou em um filme do YouTube que você subiu. Pausa, acessa YouTube, deleta o comentário “you suck!” e volta pro filme.

No clímax (figurativamente falando) quando a protagonista descobrirá que não tem dinheiro para pagar a pizza, uma janela avisa que o computador de seu escritório está ficando seu espaço em disco. Outro popup e o Mac de sua esposa diz que já tem 10 dias que não consegue rodar o Time Machine e fazer o backup.

Você clica desesperadamente, perde o fio da meada, não consegue sequer entender de quem foi a idéia da forma criativa como o entregador está sendo recompensado por seu trabalho. A idéia de parar de novo o filme é tão desagradável que você desiste de mandar um Twitter para @karlmarx perguntando se aquilo constitui mais-valia.

No final você levou duas horas para assistir um filme de 20 minutos.

Apocalíptico, eu?
Algum tempo atrás o cenário acima seria realmente exagerado, mas depois que outro dia liguei a TV e dei de cara com uma mensagem do decodificador avisando que o software seria atualizado, atividade que comeu uns bons minutos, percebi que a complexidade desnecessária chegou para ficar.

A televisão já está inteligente demais. Se ela se tornar esse monstro tecnológico indistinguível de um computador exigirá tanta manutenção quanto um. A babá eletrônica precisará de babá.

A maioria dos geeks já tem um excelente centro de entretenimento em suas mãos: O computador. O grande problema é jogar a imagem para a TV, preservando a qualidade. Isso já pode ser feito com equipamentos iguais à Apple TV, que como todo dispositivo iOS é um computador mas consegue convencer todo mundo do contrário.

Se eu já tenho um computador que supre minhas necessidades de aquisição de conteúdo, agendamento, redes sociais e interação, qual o sentido de replicar isso na TV da Sala? Estou gerando uma nova camada de complexidade. Desnecessária. A minha TV tem que me dar acesso aos recursos do computador, não replicá-los.

Não quero ter que controlar agendas de filmes em 3 ou 4 dispositivos diferentes. Eu quero poder EXIBIR esse conteúdo em 3 ou 4 dispositivos diferentes.

A Microsoft tem um excelente produto para isso no Windows Media Center, conectando seu Xbox 360 a um PC Windows e acessando a mídia hospedada nele.

A Apple não só compartilha a mídia dos PCs ou Macs rodando iTunes como com o AirPlay consegue compartilhar mesmo entre dispositivos. Você pode assistir em sua Apple TV um filme armazenado em seu iPod Touch.

A diferença aqui é que a televisão continua burra, um reprodutor passivo de conteúdo. Eu não tenho que configurar nada, não tenho que responder mensagens que pipocarão na tela dela, do celular, do computador. Não preciso reinventar a roda configurando todos os meus gostos em filmes e séries em outro dispositivo.

Unidos Venceremos
Os nossos dispositivos eletrônicos estão cada dia mais inteligentes, o que é excelente, darei boas-vindas aos nossos Overlords eletrônicos quando chegar o dia, mas a raça humana só arquitetará seu próprio fim se os dispositivos que inventamos hoje conversarem entre si.

Um iPhone, um Tablet, um tocador de mídia que acesse e sincronize com um computador central é muito mais eficiente. Uma televisão inteligente como está sendo vendida é um aparelho arrogante que acha que é o centro do Universo (e você achou que esse era o iPhone). Não fala com ninguém, ignora o trabalho dos outros e não se preocupa em otimizar os recursos disponíveis.

Isso não é bom. Já tive um celular com excelente cliente de podcasts, mas não o usava. Não havia sincronismo com o PC. Eu poderia copiar o arquivo, mas não dizer ao iTunes que o podcast já havia sido baixado e/ou ouvido.

Prefiro que minha TV continue burra. Só precisa evoluir um pouquinho. As orelhas. Se ela passar a escutar os outros dispositivos na casa, se tornar um reprodutor de conteúdo remoto, já estou satisfeito.

Até porque se eu quiser uma TV com pretensão (eventualmente correta) de que é mais esperta do que eu, prefiro ligar na GNT e assistir ao Manhattan Connection.

Ass:marquinhosjapao

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